POR QUE OS TRÓPICOS CONCENTRAM A MAIOR PARTE DA BIODIVERSIDADE DO PLANETA?

Andrei Klohs

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A distribuição global da biodiversidade não é homogênea, esse é um fato conhecido. Ao observar o mapa das espécies, salta aos olhos a enorme concentração de vida nas regiões tropicais, especialmente em florestas como a Amazônia e a Mata Atlântica. Mas você sabe por que isso acontece? Por que os trópicos são tão ricos em espécies?

Ao longo do tempo, a ciência desenvolveu várias hipóteses para explicar esse fenômeno. Abaixo, reunimos algumas das principais explicações aceitas atualmente:

1. ÁREA E ESTABILIDADE FAVORECEM BIODIVERSIDADE

Essa teoria, proposta por Rosenzweig (1995), sugere que grandes extensões de terra com clima estável, como as encontradas nos trópicos, favorecem a diversidade de espécies por duas razões principais:

  • Menores taxas de extinção: áreas maiores sustentam populações maiores e mais distribuídas geograficamente, o que reduz o risco de extinções por fatores aleatórios ou locais.

  • Maiores taxas de especiação: populações amplamente distribuídas têm mais chances de se isolar reprodutivamente, gerando novas espécies ao longo do tempo.

Apesar de influente, essa teoria é discutida por outros pesquisadores que propõem fatores adicionais.

2. MAIS TEMPO PARA A VIDA EVOLUIR

Outra explicação importante é a do tempo de diversificação. Wallace (1878) já havia proposto que os trópicos, por apresentarem clima mais estável ao longo de milhões de anos, ofereceram às espécies mais tempo ininterrupto para evoluir e se acumular.

Enquanto isso, regiões temperadas e polares passaram por longos períodos de congelamento, como nas glaciações, que interromperam ou mesmo reverteram processos de diversificação.

3. PRODUTIVIDADE E RECURSOS ABUNDANTES

A hipótese da produtividade, formulada por Hutchinson (1959), considera que os trópicos têm maior produtividade primária, ou seja, mais energia solar convertida em biomassa por plantas. Isso permite a sustentação de mais biomassa animal e vegetal, maior número de nichos ecológicos e, consequentemente, mais espécies coexistindo.

No entanto, esse argumento também possui limitações, já que nem todo ambiente altamente produtivo apresenta alta diversidade, como é o caso de muitos estuários. Além disso, para alguns grupos marinhos, como aves costeiras, o padrão latitudinal é invertido, com maior diversidade em regiões temperadas mais produtivas.

4. TRÓPICOS: BERÇO E MUSEU DA VIDA

Jablonski et al. (2006) trouxeram uma visão complementar: os trópicos não são apenas onde mais espécies sobrevivem. São também onde mais espécies nascem. Em seu estudo com fósseis de bivalves marinhos, os autores mostraram que a maioria das espécies atuais se originou nos trópicos e depois se dispersou para outras regiões.

Assim, os trópicos funcionam tanto como berço da biodiversidade, promovendo a especiação, quanto como museu natural, preservando linhagens ao longo do tempo.

O BRASIL E A BIODIVERSIDADE

Localizado inteiramente na zona tropical, o Brasil abriga alguns dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica e o Cerrado. Esses dois últimos biomas são inclusives classificados como hotspots. Isso não é coincidência: todos os fatores descritos acima estão presentes em nosso território.

É nesse contexto que atua a Quadrat Assessoria Ambiental, contribuindo para conservar e restaurar a biodiversidade brasileira em parceria com empresas, governos e organizações. Atuamos em projetos que vão desde o licenciamento ambiental até a restauração de ecossistemas e o monitoramento de flora e fauna, sempre com foco na conservação do meio biótico.

Preservar a biodiversidade nos trópicos não é apenas proteger a vida onde ela é mais abundante. É também proteger a principal fonte de novas espécies no planeta, como demonstram estudos recentes. Nesse sentido, conservar a biodiversidade brasileira é um passo essencial para o futuro da vida na Terra.

Se você se interessa por esse tema, recomendamos também a leitura do nosso post sobre os hotspots de biodiversidade, regiões tropicais que combinam altíssima diversidade biológica com elevado grau de ameaça. Confira!