ARAUCÁRIA: PATRIMÔNIO NATURAL DO SUL DO BRASIL

Andrei Klohs

Autor

Poucas árvores têm uma presença tão marcante na paisagem brasileira quanto a Araucaria angustifolia, também conhecida como pinheiro-brasileiro ou só araucária. Espécie símbolo do estado do Paraná e representante máxima da Floresta Ombrófila Mista, a araucária transcende sua função ecológica: ela é também um símbolo cultural, histórico e paisagístico da região Sul do Brasil.

 

UMA SILHUETA INCONFUNDÍVEL

Não é preciso ser botânico para reconhecer uma araucária. Sua forma peculiar, um tronco reto e escultural, com ramos dispostos em andares horizontais que se abrem como guarda-chuvas, a torna inconfundível na paisagem. Isolada, impõe presença. Em grupo, forma dosséis contínuos e uniformes de beleza singular, compondo os característicos “campos de cima da serra”.

O nome científico Araucaria angustifolia vem do latim: angusti (estreito) + folia (folha), numa referência direta às folhas finas e pontiagudas, semelhantes a agulhas, uma adaptação típica do grupo das coníferas, ao qual essa espécie pertence.

 

UMA ÁRVORE QUE CONTA HISTÓRIAS

A araucária tem presença histórica e afetiva em muitas cidades do Sul do país. Inclusive, o município de Três Coroas, onde está sediada a Quadrat Assessoria Ambiental, carrega em seu nome uma homenagem direta a essa árvore: o nome da cidade deriva de um antigo pinheiro com três copas (ou “coroas”), que crescia próximo ao Arroio Kampf. Hoje, Três Coroas é conhecida como a Cidade Verde, e a araucária segue sendo um símbolo vivo dessa relação entre povo e natureza.

 

ECOLOGIA E BIODIVERSIDADE

Muito além da beleza e da história, a araucária tem papel fundamental nos ecossistemas do Sul do Brasil. Ela atua como espécie-chave, estabelecendo interações ecológicas com uma série de animais.

A gralha-azul é talvez a mais emblemática dessas relações. Essa ave, ao enterrar pinhões para consumo posterior, acaba esquecendo parte deles, um comportamento que a torna uma disseminadora natural de sementes, contribuindo diretamente para a regeneração da floresta. Outras espécies, como cutias e ouriços-cacheiros, também se beneficiam dos frutos da araucária, formando uma complexa e rica rede de interdependência ecológica.

 

DA ABUNDÂNCIA À AMEAÇA

Infelizmente, a araucária é também um exemplo emblemático da exploração descontrolada de recursos naturais. Sua madeira nobre, leve e de fácil trabalho, foi altamente explorada no século XX, sendo usada em larga escala na construção civil e mobiliário. Essa exploração, somada à substituição por monoculturas de espécies exóticas como pinus e eucalipto, levou a drástica redução de suas populações naturais.

Hoje, a Araucaria angustifolia é considerada espécie ameaçada de extinção. E, como se não bastassem os impactos históricos, as mudanças climáticas representam uma nova e crescente ameaça, já que a espécie está adaptada a climas frios e úmidos, condições que têm se tornado cada vez mais raras em função do aquecimento global.

 

PROTEÇÃO LEGAL E POLÍTICAS DE CONSERVAÇÂO

Felizmente, a araucária é alvo de diversas políticas de proteção ambiental. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ela é considerada imune ao corte em diversos municípios, conforme o Decreto Estadual nº 29.019/1979.

 

Além disso, há regras rigorosas para sua remoção:

  • Durante os meses de abril, maio e junho, o corte é proibido, período conhecido como defeso da espécie, justamente por ser quando a araucária libera seus pinhões, essenciais para a fauna local.
  • Em casos autorizados de supressão, a Instrução Normativa SEMA nº 01/2018 determina que a reposiçao florestal obrigatória deve ser feita com a própria espécie, ou seja, cada araucária suprimida deve ser compensada com o plantio de outra araucária.

Compromisso com a conservação

Na Quadrat Assessoria Ambiental, valorizamos a araucária não apenas como elemento paisagístico e símbolo regional, mas como patrimônio ecológico que precisa ser preservado. Atuamos em projetos de monitoramento, reflorestamento com espécies nativas e compensação florestal, sempre com o compromisso de conservar a biodiversidade e fortalecer os ecossistemas onde atuamos.

A araucária é mais do que uma árvore: é um legado vivo do nosso bioma, uma testemunha do tempo e um alerta para o futuro. Cabe a nós protegê-la, com conhecimento, responsabilidade e ação.